Os esgotos domésticos, pode se afirmar, são hoje a principal fonte de poluição das águas da Baía de Guanabara. Ela tem uma capacidade de auto-depuração que a manteve relativamente limpa até meados do século passado.
Em 1850 viviam na cidade do Rio de Janeiro cerca de 300 mil pessoas que não tinham serviços de água nem esgotos. As casas dispunham de barris onde acumulavam os esgotos que a noite eram levados e jogados nas valas que eram os antigos córregos que cortavam a cidade. Para evitar o mau cheiro, essas valas eram cobertas com lages. Na época de chuvas, transbordavam invadindo as casas.
Carregadores de Água no Rio de Janeiro - Rugendas, 1835
Epidemias de febre amarela e, especialmente de cólera, influenciaram os governantes a construírem redes de esgotos que começaram a funcionar em 1866. Elas trouxeram mais higiene à cidade e aos seus moradores conduzindo os esgoto para a Baía de Guanabara. Depois, os dejetos eram colocados numa grande balsa e conduzidos para mais longe, para a saída da Baía de Guanabara. Este processo foi utilizado até meados do século passado.
A Baía bravamente resistia, sua capacidade de auto-depuração dava conta de todo o esgoto que recebia.
Com o crescimento da população e, especialmente da densidade populacional proporcionada pela possibilidade de construção de prédios altos, o aumento do volume de esgotos tornava mais difícil a auto-depuração. Hoje, com 9,3 milhões de habitantes, mesmo as modernas estações de tratamento sendo construídas são insuficientes e a Baía continua recebendo grande volume de esgotos.
Somente um terço da população é servida de redes coletoras de esgotos sanitários. O restante vai dar nas valas, nos rios e, por fim na Baía de Guanabara, sem tratamento nenhum, ou, em outros casos, tratados em fossas sépticas. Não é diferente da grave situação do saneamento básico que se encontra em quase todo o país. Ruim para os corpos dágua e pior para a saúde da população.
Alguns trechos de rios como do Sarapuí e do Canal do Mangue, por exemplo, e da própria Baía de Guanabara, estão mortos. Significa que suas águas não contêm a quantidade mínima de oxigênio para fornecer aos organismos que dele necessitam. Sobrevivem as bactérias anaeróbicas (que não precisam de oxigênio para viver). A capacidades de auto depuração foi esgotada pela enorme concentração de matéria orgânica.
Esta situação pode e deve ser revertida. Deixando-se de lançar os esgotos, os rios voltarão a ter vida em suas muitas formas, inclusive peixes. |