A colonização desse particular recanto do globo terrestre que os tamoios chamaram de guanabara ("seio de onde brota o mar") pelas diversas formas da vida, se desenrolou numa história que nos remete à ordem de grandeza dos milhões de anos.
Os ecossistemas de "litoral" - que resultam do contato entre os ambientes da terra firme e do mar - sofreram uma profunda revolução, quando algas conseguiram se agarrar ao solo firme trazendo pela primeira vez o verde para a terra. Como conseqüência desse sucesso em se expor diretamente aos raios do Sol e transformá-los em matéria, essas formas de vida vegetal foram evoluindo até que, por volta de duzentos milhões de anos atrás, todo o continente original da Pangéia havia sido coberto pelas primitivas florestas de coníferas e cicadáceas, que alimentavam a gigantesca fauna dos dinossauros.
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| Manguezais da APA de Guapi-Mirim - foto CIGUA / out.2001 |
Outro marco importante na evolução biológica foi o evento geológico que resultou na separação da América do Sul da Pangéia original, há cerca de 140 milhões de anos. A placa central mais antiga da América do Sul - cujo coração pode ser localizado no cerrado brasileiro - deslocando-se para sul e para oeste, na direção do sol poente, "inventou" todo um oceano e um litoral, onde as espécies da fauna e da flora evoluíram de forma mais ou menos autônoma.
Ao se dividir, a Pangéia aumentara a possibilidade de colonização de suas terras pelos seres verdes dos mares. O estudioso da Mata Atlântica Warren Dean, em seu clássico A Ferro e Fogo (1997), sugere que a concomitância desses dois fatos - a criação de um litoral americano e sua colonização por espécies vegetais adaptadas às novas condições climáticas e geográficas tropicais - pode ser considerada de fundamental importância na configuração da própria floresta atlântica original.
Há "apenas" 4 milhões de anos: o encontro da placa do Atlântico com a placa do Pacífico levantou os Andes a 6.000 metros a oeste e a Serra do Mar, com seus mais de mil metros de florestas úmidas tropicais, na vertente atlântica. Esse fator de ordem geológica provocou conseqüências férteis no que diz respeito à colonização por formas de vida. Tal gradiente de altura num domínio tropical teve como resultado abundantes chuvas orográficas, co-responsáveis pelo ensolarado ecossistema costeiro atlântico explodir em diversidade de formas de vida.
Sabemos hoje que, até quinhentos anos atrás, num raio de 100 km tendo como eixo central a própria APA de Gupi-Mirim, por exemplo, encontrava-se um dos maiores núcleos de biodiversidade do planeta, onde conviviam baleias, macacos, serpentes, jacarés, caranguejos, binguás, mariscos, golfinhos, tatús, gambás, pacas, borboletas, beija-flores, papagaios, araras, sabiás e crianças felizes. Durante milh&otild |
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