SINTESE DA GEOLOGIA, SEDIMENTAÇÃO E ASSOREAMENTO DA BAÍA DE GUANABARA
Kátia Leite Mansur
A Baía de Guanabara tem uma área de aproximadamente 400 km2 e contém cerca de 3 bilhões de m3 de água. É um exemplo de ambiente costeiro misto, interfacie marinho-continental, em acelerado processo de degradação, motivado pela combinação de fatores naturais e antrópicos.
A tendência geológica da baía, dadas as condições de equilíbrio instável do sistema, seria, a longo prazo, a de um completo entulhamento sedimentar, com a sobrevivência apenas de canais fluviais, que teriam sua desembocadura em um ponto próximo à atual entrada. A atua`ao antrópica vem acelerando o processo de assoreamento, introduzindo mais um componente de desequilíbrio ao sistema.
ORIGEM E EVOLUÇÃO DA BAÍA DE GUANABARA
A baía de Guanabara, incluindo a maior parte de sua bacia hidrográfica contribuinte, corresponde a um compartimento estrutural tectonicamente rebaixado, de idade Cenozóica (zona fisiográfica denominada Baixada Fluminense).
Segundo Ruellan (1944), a baía se originou de uma depressão de ângulo de falha entre dois grupos de blocos falhados: o da Serra dos Órgãos e dos pequenos maciços costeiros. As linhas estruturais que condicionaram a existência da Baixada seriam reativações Cenozóicas de linhas estruturais Pré-Cambrianas (Almeida, 1976). A baía deve sua formas mais originais a invasão e acumulação marinhas, sendo denominada por Ruellan de "Ria da Guanabara".
Evidencias geológicas encontradas na Formação Macacu (Grupo Barreiras) sugerem, durante parte do Cenozóico (Terciário Superior, Plioceno e Peistoceno Médio), uma drenagem dirigida basicamente para a atual Baixada de Sepetiba. Evidências: embora a bacia contribuinte para a baía tenha remanescentes sedimentares desde o Terciário Superior (Formação Macacu e Pré-Macacu) , as seqüências observadas no assoalho da baía, a partir de sondagens, revelam depósitos somente a partir do Pleistoceno Superior (Wisconsin) da Formação Caceribu.
O sistema de drenagem da Guanabara só começa a se instalar no último período interglacial (Sangamon), há cerca de 200.000 anos A. P.
Os depósitos fluviais da Formação Caceribu indicam posição de nível de mar abaixo do atual, até cerca de 100 metros, clima seco, e um sistema de drenagem anastomosante, com canais rasos e largos. A linha de costa, nesta época se situaria a dezenas de quilometros da atual, constituindo parte do que é denominado Plataforma Continental.
De forma gradual, mas contínua, há 16.000 anos A P. , iniciou-se o processo de afogamento da bacia fluvial pleistocênica, por águas marinhas, marcando o início do Holoceno Inferior. Esta fase transgressiva é denominada por Amador (1980) de Transgressão Guanabarina, relacionável a Transgressão Santista (Suguio e Martin, 1975) e a Transgressão Flandriana (Fairbridge, 1961, 1962 e 1976). No limite Pleistoceno Super |