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Em maior ou menor medida, todos os rios da Guanabara sofreram degradação e drásticas intervenções, como a retificação dos cursos, o que acelera a correnteza e contribui para o arrasto de sedimentos. Assim, vários deles foram assoreados. Além disso, alteraram-se ecossistemas, que já não se pode recompor. Em larga escala, tais obras começaram nos primeiros anos do século 20, embora ainda no século 19 já tenham sido feitas algumas que fizeram até mesmo desaparecer rios, escondidos por canalizações. Vários dos rios e canais da Guanabara estão muitíssimo poluídos. Outros, como o Macacu, ainda mantêm qualidade suficiente para servirem para o abastecimento público.

Começando pela margem ocidental da Baía, mais precisamente em Botafogo, trataremos de alguns dos aproximadamente 50 rios e riachos que compõem os 4.081 quilômetros quadrados da Região Hidrográfica da Guanabara. Nesta área, estão incluídos 16 municípios, nos quais vivem mais de 8 milhões de pessoas. Dez estão integralmente na bacia: são Duque de Caxias, Mesquita, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, São Gonçalo, Magé, Guapimirim, Itaboraí e Tanguá. Seis estão apenas parcialmente na bacia: Rio de Janeiro, Niterói, Nova Iguaçu, Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito e Petrópolis. Estes cursos d'água sofreram grandes intervenções, principalmente nas décadas de 30 e 40, as quais tinham por objetivo promover o saneamento. Foram, vários deles, importantes meios de transporte e comunicação, e por seus portos passavam mercadorias provenientes do interior ou destinadas a ele. O Porto da Estrela, por exemplo, fazia parte da rota do ouro. Outros, mais modestos, davam passagem a lenha e a produtos agrícolas.

Boa parte das intervenções nos rios da Guanabara ocorreu na década de 1930. Em 5 de julho de 1933, foi criada a Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense, subordinada ao Ministério da Viação e Obras Públicas. Baixada Fluminense, neste caso, tem um sentido de enorme amplitude, pois abrange as áreas da Guanabara, de Santa Cruz, de Campos dos Goitacases e da Região dos Lagos. Nesta época, e por mais alguns anos que se seguiram, retificaram-se trechos de rios, abriram-se canais, fizeram-se aterros... enfim, mudou-se a feição da Baía.

Dos rios que deságuam na Guanabara, alguns adquiriram, no período colonial, importância especial com a descoberta do ouro em Minas Gerais. Inicialmente, o metal era transportado para Parati e de lá embarcado para a Metrópole. Eram grandes, porém, os riscos de ataques de piratas. Abriram-se, então, caminhos que davam na Guanabara: o Caminho Velho, de 1698, que servia ao Porto do Pilar, no Rio Pilar, afluente do Iguaçu, e, em 1720, o Caminho Novo, que chegava ao Porto da Estrela, no Rio Inhomirim. Todavia, eram muitos os pequenos portos instalados nos rios, pelos quais passava boa parte da produção agrícola do Rio de Janeiro. Só às margens do Meriti, por exemplo, chegaram a existir quase 15 portos.

Berquó - Nasce nas encostas que se erguem em direção ao Corcovado, em Botafogo, e no mesmo bairro deságua no mar. Na maré cheia, canoas e faluas o subiam por uma extens&ati


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