A Baía de Guanabara é uma das mais importantes referências naturais e culturais do Brasil, do Estado do Rio de Janeiro e de todos os municípios que a margeiam. A beleza da sua paisagem e a sua natureza exuberante foram repetidamente e entusiasticamente ressaltadas por viajantes, pintores, poetas, estudiosos e, por tantos, anônimos admiradores.
Desde a chegada dos primeiros visitantes europeus, justificadas palavras ufanistas eram usadas para descrever a sensação de esplendor ao chegar à Guanabara:
"... tudo he graça ho que della se pode dizer". Tomé de Souza, em carta a D. João III (1553).
"É a mais fértil e viçosa terra que há no Brasil". Pero de Magalhães Gandavo, em "Tratado da Terra do Brasil" (1572).
"É a mais airosa e amena baía que há em todo o Brasil". Pe. José de Anchieta em uma de suas Cartas (1585).
"Esta terra é um paraíso terrestre". Parny, em "Ouvres choisies". (1773).
"Quem seria capaz de descrever as belezas que apresenta a baía do Rio de janeiro, esse porto que na opinião de um dos nossos almirantes mais instruídos, poderia conter todos os navios da Europa?". August Saint-Hillaire, em "Voyage dans les provinces de Rio de janeiro et Minas Gerais" (1816).
Tanta riqueza e alumbramento fizeram da Baía e seu entorno, objeto de intensa cobiça e disputa. O reconhecimento da sua importância começou muito antes da chegada dos colonizadores europeus. Por muitos séculos, desde os primeiros povos - os construtores dos sambaquis - aos tupinambás, tupiniquins e outras populações indígenas encontradas pelos primeiros navegantes europeus, o ecossistema da Baía de Guanabara e seu entorno eram permanentemente disputados por numerosos grupos rivais. A baía lhes garantia alimentação farta e o privilégio de sua primazia garantia vida fácil e saudável.
O colonizador também veio atraído pelas riquezas locais, mas logo percebeu que o porto calmo e seguro também possuía grande valor estratégico, como suporte à navegação de suas embarcações ao longo do litoral, como para o acesso às terras e às riquezas do interior do país.
Era de se esperar que ao longo da história, um local tão atraente assim, só poderia mesmo acabar por atrair um grande contingente de população. A cidade do Rio de Janeiro foi crescendo em importância nacional e internacional e, em pouco tempo já era a capital da Colônia, com a chegada da família real portuguesa tornou-se a capital do Reino, com a independência do Brasil a capital do Império e, posteriormente, foi a capital da República. A Cidade do Rio de Janeiro cresceu e fundiu-se com as cidades vizinhas em um processo de conurbação que contornou as águas da Baía e que gerou uma grande região metropolitana, uma das maiores do planeta. Só na Região Hidrográfica da Baía da Guanabara existe uma população de cerca de 10 milhões de pessoas. Com o crescimento urbano desenvolveu-se junto à Baía de Guanabara um dos maiores parques industriais do Brasil e do continente, fatos esses que ocorreram de forma concomitante e em um processo de mútua retroalimentação.
Tudo isso ocorreu muito rápido e sem< |